Eis aqui um assunto delicado: o preconceito contra o negro no Brasil. Por mais que digam que não existe discriminação, várias estatísticas mostram que a vida dos negros tende a ser mais difícil e que eles não têm o mesmo acesso à educação e aos mesmos bens de consumo que pessoas de outras etnias.
Não existe preconceito bom, óbvio, mas no Brasil o que acontece é um preconceito velado e silencioso. É aquela coisa de cochichar, de olhar torto, de comentar… Isso machuca muito, tanto quanto a fala aberta. Nós sabemos que muitas vezes após seleção de emprego, no momento de escolher entre dois currículos semelhantes, de um negro e de um branco, o segundo é escolhido. Isso é tão repulsivo quanto discriminar um indivíduo publicamente. E ainda dizem que o preconceito no Brasil não existe. O nosso problema é a hipocrisia. E isso não se restringe somente aos negros, também podemos ver o que acontece com os homossexuais. Existe uma cortina de falso moralismo que me enoja.
Não poderia de deixar de falar das cotas para negros nas universidades. Na minha humilde opinião isso é mais uma forma de preconceito. Acho que a atitude em si foi positiva, ou seja, reconhecer que existe o problema e criar uma alternativa. Entretanto não creio que isso seja a solução. Não consigo imaginar uma pessoa preenchendo o campo de informações pessoais do vestibular, e colocando abaixo de seu endereço a cor da sua pele. Também não posso imaginar uma entrevista dessa pessoa com o responsável pela seleção das pessoas para as cotas. Como é que isso é julgado? Eles têm uma tabela de cores para definir quem é ou não negro? Não sei como isso é feito, mas não consigo imaginar um método que não me soe constrangedor e preconceituoso.
Em março desse ano, a nossa digníssima Ministra da Política da Promoção da Igualdade Racial, senhora Matilde Ribeiro, disse que quando um negro discrimina um branco é normal. Ela justifica isso dizendo que os anos de escravidão absolvem os negros. Isso só poderia vir de um membro desse governo vergonhoso que nós temos. Fiquei sem ação diante dessa barbaridade. Isso só serve para incitar o racismo e piorar as relações entre as pessoas. Lamentável.
Quando falo em preconceito, eu sempre analiso dos dois lados. Para mim é uma via de duplo sentido, e o que não é bom para um não vai ser bom para o outro. Vamos polemizar mais um pouco:
O que quer vocês acham daquelas camisas e bonés com o dizer “100% negro”? Para mim isso é uma forma de discriminação. E se uma pessoa vestir uma camisa com a frase “100% branco”? Pode? Claro que não!
A questão é de igualdade. Outro exemplo:
No Brasil existe uma revista direcionada ao público negro. Há algum tempo eu li a seguinte frase da matéria de capa: “Negro é lindo!” É lógico que sim, como todos os seres humanos. O que isso quer dizer? Que os outros não são? Repetindo a dose: O que dizer de uma revista que publicasse: “Branco é lindo!” Isso está certo? Óbvio que não…
Todos nós sabemos dos absurdos que os negros sofreram e sofrem nesse país, mas não serão atitudes assim que vão melhorar as coisas.
Sobre as cotas, acho que o maior problema do Brasil é a desigualdade social. Me agradaria que as cotas de universidades públicas, quase que em sua totalidade, fossem destinadas a alunos da rede pública. Acho que a partir do momento que nós nivelarmos a distribuição de renda no país, negros, brancos, amarelos e vermelhos terão uma vida digna.
